Recents in Beach

header ads

Entrevista com Dave Grohl sobre o documentário Sound City




"As pessoas pensam que eu sou Amish"  (grupo religioso conhecidos por seus costumes conservadores, como o uso restrito de equipamentos eletrônicos, inclusive telefones e automóveis) diz Dave Grohl.

"Só porque eu tenho debatido muito sobre o tema analógico X digital na indústria da música, eles acham que eu não vou chegar perto de qualquer tecnologia moderna. Agora eu fiz um filme que apoia gravar música em fita."

Grohl, 44 anos, vive sob muitos rótulos: baterista do Nirvana, vocalista do Foo Fighters  fundador do Them Crooked Vultures, gênio divino, melhor homem no Rock... Talvez fosse apenas uma questão de tempo atuar como diretor de cinema. Ele diz que nunca teve a intenção de fazer um documentário sobre o Sound City - lendário estúdio de gravação de Los Angeles, que fechou suas portas em 2011. Mas Grohl é como um ímã para felicidade. Ele atrai dinheiro e pessoas de bem para si mesmo em virtude de seu entusiasmo contagiante.

"Sound City" foi feito para os amantes da música. A revista Rolling Stone o intutilou de "Um documentário emocionante sobre o que torna a vida digna de ser vivida".

Nele, Grohl narra a ascensão e queda do estúdio, onde foram gravados álbuns de Neil Young, Fleetwood Mac, Metallica, Rage Against the Machine, Arctic Monkeys, o álbum Nevermind do Nirvana entre outros.

Dave também convenceu grandes nomes, como Paul McCartney, Stevie Nicks e Rick Springfield, a fazer um dueto com ele. Os resultados são mostrados no final do filme.

"Sound City", Grohl recorda, "era um lugar muito especial onde os músicos iam em busca de uma  performance melhor para seus álbuns. Mesmo sendo crianças na época do Nirvana, estávamos conscientes de sua reputação. Você chegava, plugava e ia em frente"!

"Eles fecharam principalmente porque faziam a gravação de modo analógico, que tornou-se desatualizada. Mas os 15 dias que passei na Sound Recording gravando com o Nirvana mudaram a minha vida. Se não tivéssemos alcançado esse som cru com Nevermind, nunca iríamos vender mais que alguns álbuns, e com certeza eu não estaria sentado aqui hoje".

"O console de mixagem deles era tão importante para mim como qualquer banda que eu já estive, e eu fiquei de coração partido quando soube que o estúdio estava fechando. Então disse, 'Se você quiser vender esse console eu adoraria tê-lo".

O filme começou como um tributo. Grohl levou o "Console Neve" - que segundo o filme, só foram fabricados quatro iguais às do Sound City - para sua própria casa, em Los Angeles "e depois eu convidei alguns amigos para vir e fazer uma jam comigo".

Graças a um pedigree musical que inclui encabeçar o grunge, os amigos de Grohl são de maior nível do que a mídia documenta.

"Tenho sorte de ter um monte de amigos no mundo da música, e eles sabem que eu sou enérgico e entusiasta quando se trata de tocar. Então eu posso dizer a Rick Springfield, 'Cara, vamos fazer uma música juntos", e ele vai vir".

Será que ele se aproxima de McCartney dessa maneira alegre ? Gargalhadas Grohl. "Sim, exatamente igual."

De todas as sessões capturadas no "Sound City", McCartney é o mais interessante. Butch Vig, produtor do Nirvana, está na mesa de mixagem com Grohl e o baixista Krist Novoselic. "É como assistir Paul em um ensaio pessoal".

Eles elogiavam seu desempenho até ele suar. O resultado foi uma faixa chamada ironicamente de Cut Me Some Slack (Me dá um tempo).

Também participam do documentário Trent Reznor do Nine Inch Nails, Corey Taylor do Slipknot, Stevie Nicks do Fleetwood Mac.

O objetivo final de Grohl é anunciar um evangelho da "Real Music". "Eu quero inspirar outras pessoas", entusiasma-se. "Eu não quero que a próxima geração ache que você tem que ir para a escola para estudar música ou ser um programador de computador, a fim de estar em uma banda. Eu quero que saibam que você pode comprar uma guitarra ruim, escrever grandes canções e se tornar a maior banda do mundo. Isso é o rock 'n' roll"

Presumivelmente, não se apresentar em programas de TV para realizar um sonho? Grohl considera. "Eu acho que qualquer um que tem a coragem de ir e cantar o seu coração no palco é incrível. Mas eu quero que minhas filhas entendam que a música não é um concurso. Nunca iria querer cantar, e ser julgado 'Isso não foi bom o suficiente'  Porque eu nunca diria isso. Digo, eu nunca iria desencorajar qualquer outro artista ou músico, não é o que eu faço" Isso é um perigo!  'Faça isso de novo, escreva outra coisa'. Eu não acho isso legal. Eles não inspiram ninguém".

"Não que isso não tenha acontecido comigo. Me lembro que tentei entrar para 'The King and I'  na sétima série e me ofereceram o papel de substituto, ele ri. Eu respondi: "Substituto? Substituto? Você deve estar brincando comigo eu nunca vou ser um substituto" !

Apesar de seu primeiro casamento com a fotografa Jennifer Youngblood ter terminando em 1997, ele teve sorte em sua segunda união. Ele tem duas filhas, Violet e Harper, com sua esposa Jordyn Blum, com quem casou em 2003. Sua vida bem-aventurada e ocupada, ele diz, é inspirada em Kurt Cobain.

"Quando Kurt morreu, percebi que cada dia deve ser comemorado, de alguma forma, e temos tanta sorte de ter o que temos. Não importa se é o melhor ou o pior dia de sua vida, estar aqui é bom o suficiente. Então eu realmente tento tirar vantagem disso. Ei, eu estou ocupado, mas o sono é supervalorizado. Você sabe, eu tenho muita energia e não uso drogas. É honestamente tudo é feito com café".

Em seguida, Grohl disse que vai voltar ao seu foco principal, Foo Fighters. "Nós estamos em hiato - que o nosso guitarrista Pat Smears  chama de 'Eu os Odeio', por isso estamos afastados e nos preparando para o próximo álbum. Mas para quem pensa que eu sou Amish, ou que não uso computador, eu gostaria que soubessem que meu iPhone tem cerca de 50 canções novas do Foo Fighters nele, porque cada vez que eu tenho uma idéia, eu guardo"

Fonte: The New Zeland Herald by Emma Jones - 14/03/2013