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Vídeo: Patti Smith declama poema “Saudação a Walt Whitman", de Fernando Pessoa


Foto: Vimeo

Em Setembro, antes de lançar o livro de memórias M Train, uma espécie de continuação de Só Garotos (2010), Patti passou por Lisboa, onde visitou a Casa Fernando Pessoa.

No local, ela gravou um vídeo no qual lê trechos do poema “Saudação a Walt Whitman”, assinado pelo heterônimo Álvaro de Campos.


            


 Leia os trechos do poema em português

(...)

Sei que cantar-te assim não é cantar-te — mas que importa? Sei que é cantar tudo, mas cantar tudo é cantar-te, Sei que é cantar-me a mim — mas cantar-me a mim é cantar-te a ti Sei que dizer que não posso cantar é cantar-te, Walt, ainda…

(...)

Para cantar-te Para saudar-te Era preciso escrever aquele poema supremo, Onde, mais que em todos os outros poemas supremos, Vivesse, numa síntese completa feita de uma análise sem esquecimentos, Todo o Universo de coisas, de vidas e de almas, Todo o Universo de homens, mulheres, crianças, Todo o Universo de gestos, de actos, de emoções, de pensamentos, Todo o Universo das coisas que a humanidade faz, Das coisas que acontecem à humanidade — Profissões, leis, regimentos, medicinas, o Destino, Escrito a entrecruzamentos, a intersecções constantes No papel dinâmico dos Acontecimentos, No papirus rápido das combinações sociais, No palimpsesto das emoções renovadas constantemente.

(...)

Para saudar-te Para saudar-te como se deve saudar-te Preciso tornar os meus versos corcel, Preciso tornar os meus versos comboio, Preciso tornar os meus versos seta, Preciso tornar os versos pressa, Preciso tornar os versos nas coisas do mundo Tudo cantavas, e em ti cantava tudo — Tolerância magnífica e prostituída A das tuas sensações de pernas abertas Para os detalhes e os contornos do sistema do universo.


Fonte: Rolling Stone